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Pandemia das drogas

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Enquanto não dispomos da droga-anti-droga, nos resta valorizar os vínculos familiares

A recente reportagem do Diário da Região intitulada “Epidemia sem controle”, escrita pelo jornalista Felipe Nunes, instigou-me escrever o presente artigo. Nunes fez o que esteve ao seu alcance para reproduzir grande parte do que já sabemos, mas tal qual um bom profissional ele nos relembra que há uma ferida social aberta.

As justificativas apresentadas por instituições profissionais que tratam deste problema são como as frases bíblicas, que escritas por diversos evangelistas expressam sempre os mesmos conhecimentos, sem, no entanto, nos apresentar nenhuma luz que nos leve à esperança. Os resultados obtidos de instituições respeitadas indicam que a dependência de drogas químicas, excetuando o álcool, é pandêmica. Ou seja, todos os países do mundo padecem deste problema. Relatórios recentes das Nações Unidas indicam que em 2016 a população dependente de drogas era próxima de 29 milhões em todo o mundo, e em 2019 chegou a 35 milhões, ou seja aumentou 7,8% em apenas três anos.

No Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizou o terceiro levantamento sobre o uso de drogas químicas, excetuando-se o álcool, e mostrou que o espectro etário que usa droga vai dos 12 aos 65 anos de idade. Nada menos que 12,2% da população brasileira experimentou estas drogas pelo menos uma vez, e perto de 6% dos brasileiros, ou seja, algo como 12 milhões de pessoas são dependentes de drogas químicas.

Não há uma estatística segura de quantas pessoas morrem diariamente pelo abuso de drogas alucinógenas. Esta pandemia não é discutida na mídia e na política, e poucos ministérios públicos realizam fóruns em buscas de soluções. Por sorte, uma parte das soluções que se busca vem de heroicas instituições voluntárias, filantrópicas e religiosas, que por não agregarem equipes multiprofissionais apenas enxugam o prurido desta ferida social e comportamental.

Ao estudar a biomedicina deste tipo de dependência química observei que o uso contínuo de drogas alucinógenas, notadamente a cocaína e o crack, faz com que seus compostos químicos, geralmente associados ao éter e clorofórmio, entopem os receptores das células para os hormônios adrenalina e noradrenalina – que são relacionados com luta ou fuga. Por conta disso haverá sobra destes hormônios no sangue do usuário destas drogas, alterando rapidamente o metabolismo das suas trilhões de células, de tecidos e de órgãos.

Por conta disso aumenta a velocidade do fluxo sanguíneo, dos batimentos cardíacos e da respiração. O que me deixa perplexo é que as indústrias farmacêuticas já conseguiram produzir drogas espetaculares conhecidas como as terapias-alvo para diversos tipos de câncer, mas não vislumbra nada com relação ao bloqueio terapêutico eficaz de drogas-alucinógena.

Enquanto não se descobre o tratamento desejado, voltemos ao início da nossa evolução, quando uma chimpanzé qualquer que passou a dominar um graveto cruzou com um gorila qualquer que tinha senso de família, surgindo daí o primeiro ancestral humano, o australopiteco, que sobreviveu por alguns milhões de anos por saber fazer fogo e viver em agregados familiares. As espécies animais que não têm estes vínculos vão desaparecendo ao longo dos anos. No caso do ser humano, além do vínculo familiar para vencer a dependência da droga, há a educação.

Por essa razão, enquanto não dispomos da droga-anti-droga, nos resta valorizar os vínculos familiares e exigir dos governantes a educação de qualidade, pois somente a cultura de uma nação poderá protege-la contra epidemias catastróficas.

Paulo Cesar Naoum, Professor titular pela Unesp e acadêmico da Arlec

Fonte: Diário da Região

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