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Beber todo dia não é normal; saiba como identificar o alcoolismo

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O termo alcoólatra é usado até hoje para caracterizar alguém que bebe demais, que não tem controle do hábito e que está viciado em bebidas alcoólicas no geral.

No entanto, segundo Nathalia Klein, psiquiatra e pesquisadora médica do CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool), a denominação é antiga e até pejorativa. “O correto é falar alcoolista ou pessoa que sofre com transtorno por uso de álcool”, afirma.

De fato, o alcoolismo é uma doença crônica, de origem multifatorial e para ser diagnosticado com a condição, o indivíduo precisa apresentar sinais e danos como perda de emprego, violência física, agressividade, mudança de comportamento e afastamento de pessoas ao seu redor. Na maioria dos casos, a pessoa não reconhece o problema e sempre nega os sintomas.

O quadro também é acompanhado pelo aumento da tolerância. “Ele sempre precisa de doses maiores do que a vez anterior. Além disso, também apresenta sinais de abstinência física, pressão alta e aumento da frequência cardíaca”, diz Klein.

Como diferenciar o alcoolismo de um consumo social?

Beber socialmente não é um problema quando se há controle e o indivíduo não oferece riscos a ele mesmo ou a outras pessoas. No entanto, beber todos os dias e perder o controle em algumas situações pode indicar alcoolismo ou predisposição ao problema.

“Beber todo dia não é para o ser humano. O etanol é tóxico para o organismo e o uso frequente pode trazer problemas recorrentes, que vão além do alcoolismo”, explica Ana Cecília Roseli Marques, psiquiatra e membro do conselho consultivo da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas.

Isso inclui até aquela famosa tacinha vinho com o intuito de cuidar da saúde do coração e supostamente prevenir outras doenças. Segundo Marques, não existe consenso sobre a questão, “pois as poucas pesquisas sobre o tema foram feitas em países europeus com homens saudáveis e que nem foram acompanhados por anos para avaliar as consequências.”

Inclusive, um estudo publicado pela revista científica The Lancet, em agosto de 2018, mostrou que não existe nível seguro de consumo de álcool. Os cientistas admitiram que beber de forma moderada pode proteger contra doenças cardíacas, mas pode aumentar o risco de desenvolver câncer e outros problemas, o que sobrepõe o benefício.

No estudo, feito com pacientes de 15 a 95 anos, os pesquisadores compararam os voluntários que não bebem álcool com consumidores de bebida alcoólica. Ao analisar os resultados, dos 100 mil participantes que não consumiam álcool ou tinham um consumo moderado, 914 desenvolveram problemas de saúde relacionado à bebida, como câncer ou algum tipo de lesão.

Outro fator que indica que a pessoa está perdendo o controle e pode sofrer com a doença é se o consumo de 60 gramas ou mais de álcool, o equivalente a quatro doses, é frequente e também se, ao consumir bebidas alcoólicas, ela perde o controle das situações.

Como procurar ajuda?

O ideal é aceitar ajuda de pessoas próximas, familiares e enxergar como algo benéfico esse apoio.

É fundamental que terceiros e os próprios familiares não estigmatizem o alcoolista, usando palavras feias e de baixo calão.

É muito comum algumas pessoas acharem que é frescura, xingar, ofender, mas essa é uma doença séria e que merece atenção”

Caso prefira, procure ajuda no grupo de Alcoólicos Anônimos, inclusive durante a pandemia, as reuniões têm acontecido de forma online.

Como funciona o tratamento?

A ajuda médica será feita em várias fases e construída de forma multidisciplinar, envolvendo psiquiatra, psicólogos, assistente social e outras abordagens terapêuticas tratadas de forma individualizada.

O tratamento será feito em etapas e o primeiro passo é o diagnóstico por um médico. O processo pode levar meses e se estender por até um ano ou mais.

Na primeira fase, é feita a desintoxicação, em que retira-se totalmente o álcool ou ocorre a retirada gradual da bebida.

Na segunda etapa, ocorre a prevenção de recaída, para a pessoa não voltar a consumir a substância. Além disso, são feitas entrevistas para estabilizar a motivação e trabalhar a manutenção do tratamento.

Depois de alguns meses de terapia, ele estará em remissão parcial ou total, mas os especialistas não falam em cura, já que a doença é crônica como muitas outras e, se não há um cuidado, a pessoa pode apresentar novamente o vício.

Depois disso, o paciente terá que voltar ao médico por pelo menos uma vez ao ano. “O alcoolismo tem que ser visto com uma doença como as demais, que precisam de tratamento e cuidado. Por isso, todo o tempo o paciente terá que voltar ao médico e ter um acompanhamento de um profissional”, diz Marques.

A especialista ressalta ainda que o indivíduo terá que fazer uso da terapia por praticamente a vida toda, além de se policiar e evitar situações em que era exposto à bebida.

A família também precisa cooperar, mas acima de tudo o próprio paciente. Se ele bebia no bar, por exemplo, terá que parar de ir ao local.

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